Notas Visíveis sobre o Invisível-Da ciência sem Dogmas ao Templo do Tecnoxamanismo

berçarioDa ciência sem dogmas ao Templo do Tecnnoxamanismo

Sobre a confusão foucaultiana entre o que pertence aos domínios do empírico e o que pertence ao transcendental: Uma prévia do Qu³m tem medo de Foucault ?#3

Um ensaio agumentativo-criativo de filosofia da ciência para Fabi M. Borges, La Papisa(rs morada que muy me encanta )

A estrutura das revoluções científicas” o polêmico livro que influência desde as leituras de Platão- nas mãos de Reale-Tübingen- até ciência contemporânea é claramente citado por Sheldrake no seu “Ciência sem Dogmas”. Desde o séc XIX que a ciência espalha com sucesso a crença no materialismo. Dado que os cientistas, como evidência Kuhn-Sheldrake, como qualquer outro conglomerado social constroem “ redes de apoio”, pois estão vulneráveis à normas sociais como desejo de prestígio.

Latour (1987-Science in Action) observou que os cientistas, tradicionalmente fazem distinção entre conhecimento e crença, sendo que crença distorcida é aquele resultado de paradigma + pesquisa científica que pertence as pessoas de fora de seu circulo científico. Enfim não é novidade aos pensadores da ciência a existência de uma “Igreja da Ciência” como chama Sheldrake que ignora e manipula resultados de acordo com financiamentos, estratégia e sentimento de pertença.

Agora eu me pergunto, se religião é religare e isso implica a necessidade de desconexão, bem como as noções de sentimento de pertença- o lobysta dinamarques Martin Lindstron ao desenvolver pesquisas neurológicas Segundo ele “Fiz um estudo de US$ 7 milhões sobre como o cérebro dos consumidores se comporta e foi apenas o início para entender como essa relação complexa se dá. Mas é certo dizer que tudo que aprendemos da neurociência vai ser usado na publicidade” E MAIS “ falo de um experimento que colocou 200 pessoas andando a esmo numa sala. Então, cinco são selecionadas cuidadosamente para, sem alarde, começar a caminhar em sentido horário. Em sete minutos, toda a sala estava andando em sentido horário. Quando questionados por que estavam andando em sentido horário, simplesmente disseram que haviam começado a andar daquele modo – embora, na realidade, tivessem apenas seguindo.”

O sentimento de pertença da religião nos domina epistemologicamente no sentido transcendental em grupos sociais; vizinhos; redes sociais, marcas e seus lobystas; colecionadores é um dos principais causadores ocultos do porque as pessoas consomem. O Google e o Facebook segundo Lindstron, já se apropriam do conhecimento dos 200 mais influentes na rede para disseminar através deles aquilo deve receber popularidade(a bancada evangélica também). Mas e os esquisitos? A que coletivo pertenceremos? “Não basta ser esquisita para pertencer ao nosso coletivo, tem que ser incompreendida também – e não ter tato algum para se desenvolver como capitalista vencedora – tem que ter uma dose de intolerância com os winners e ser hedonista por natureza.”(Borges-Bensusan, 2010).

Seria hackeamento do conceito de religião uma movimento artístico Avant-Garde? Quanto os grupos em situação de vulnerabilidade tem a ganhar com um Templo do Tecnoxamanismo Esquizotrans? Sobretudo na medida em que agrega, confere pertença ao acolher os grupos “ do avesso”. Ando pensando em quanto essa nova ciência, que apregoa a relação da mente expandida, ressonância mórfica, vai ser apropriada pelo poder dentro de uma perspectiva onde, não sabemos dizer o que é metafísica e o que é epistemologia(segundo Foucault em no capítulo IX de As palavras e as coisas a confusão duplo-empirico-transcendental-que guia todo o pensamento ocidental contemporâneo – reside justamente na ausência de clareza sobre aquilo que pertence ao transcendental ou ao empírico) Quem vai controlar a ideia de deus e religião quando a religião passa ser ciência e a ciência religião?

A psicológa e esquizoanlista Fabiane Borges comenta sobre o tecnoxamanismo e as noções de movimento de rede muito interessantes nessa sonância de sentimento de pertença bem como reconexão com o corpo vibrátil  os movimentos e experiências aos quais ela vivenciou com  tecnoxamanismo em geral de acordo com minha visão dos relatos mostram uma percepção da ressonância mórfica em ação, acredito que a experiência de corpo vibrátil que Fabiane cita Rolnik esteja muito próxima dessa epistemologia do Rupert Sheldrake :

Eu vejo o tecnoxamanismo assim: como a expressão da potência de um movimento. Para deixar mais claro, o tecnoxamanismo é um movimento de rede, que de certa forma se engaja em problemas que nosso contemporâneo tem levantado”

(…)

“Como Potência do corpo (1), vejo o desejo de desconexão (mesmo que temporária) com um mundo de velocidade mental, e a reconexão com o corpo. O que ele está dizendo? Que movimentos é capaz de produzir? A potência do corpo fica geralmente atrofiada por causa dos nossos estilos existenciais sedentarizados nas cidades, no trabalho, nos estudos, na frente do computador, na sobrevivência em geral. São muitas as formas de se acionar as potências de um corpo. No nosso caso usamos a linguagem da performance…”

Nessa perspectiva da performance, ou ainda da escritura performativa seria interessante comentar o trabalho do professor Artur Matuck em sua série de  ficção onde seu personagem uma especie de alter-ego Ataris Vort denuncia a ciência meganica parafraseando o professor, essa ciência hedionda reduz o seres humanos à sujeitos de experimentação que tortura para extrair um suposto conhecimento científico-seja lá o que for que isso signifique, já que a ciência é dogmática- sua narrativa ficcional é também um comentário ativo sobre nossa contemporâneo, o estado atual de coisas em que a ciência humana prática torturas, e não vemos os cientistas dispostos a discutir.

Mas retornando ao tecnoxamanismo como religião neste texto Borges vai ainda  propor outros fortes aspectos que poderiam identificar um tecnoxamanismo e etc, aspectos que muito possuem em comum com a religião, vivências comunitárias e conhecimento ancestrofuturista. A vivência comunitária é um dos pilares do sentimento de pertença, isso já dispensa que continuemos a divagar sobre ela, embora seja de suma importância. O conhecimento ancestrofuturista, é justamente a apropriação contemporânea de organização a longo prazo dos conhecimentos outrora metáfísicos agora transcendentais, outrora empíricos, agora metafisico realistas. Latour aparecer nos textos de Sheldrake e Borges não é ao acaso, se for talvez um acaso objetivo surrealista, esse acaso que causa curiosidade em Simone de Beauvoir no início de seu Balanço Final.

Mas a medida  que Pirate-bay do kopimismo, movimento que acaba de ser reconhecido como religião pelo governo da Suécia pelo órgão que registra os grupos religiosos do país: para ter direito aos benefícios que a Suécia dá às religiões, como subsídios do governo. Não é novidade que muitas igrejas neopentecostais não apenas lavam dinheiro do trafico de drogas, como suas empresas legais financiam políticos, o não hackeamento do conceito de Igreja deixa então um imenso nixo não explorado pelas práticas de si como liberdade , mas que está sendo amplamente apropriado pelos fascistas e as transnacionais.

Quais as possibilidades concretas de o tecnoxamanismo se desenvolver como ciência através desse capital hackeado pela mídia da religião? Quantas novas pesquisas interessantes geradas no cerne da multiplicidade paradigmática nos libertariam de certa forma das estratégias de massificação? Vinculadas ao resgate do conhecimento dos povos fundantes, e acolhendo os grupos subjugados. O tecnoxamanismo é um saber que muito tem a ganhar com a abertura do contemporâneo que propõe Foucault em O homem e seus duplos, se a imagem do pensamento clássica encerra a representação a suas ciências, e moderno já não opera, a abertura em invenção do estado do contemporâneo é o estado mesmo de coisa do tecnoxamanismo É também uma operação política, na medida em que garante a produção bens imateriais num momento de mudança paradigmática da economia. (mas isso exigiria um outro artigo)

Marcel Vogel da IBM (o que depois de anos trabalhando na rotina administrativa onde aplicava os resultados de suas pesquisas sobre luminescência lhe permitia tempo integral para estudos) na Califórnia foi desafiado a dar um curso sobre criatividade nos escreve Peter Tompkins e Christopher Bird – no capítulo intitulado As plantas podem ler sua mente no livro A vida secreta das plantas – , seu curso toma novo rumo ao entrar em contato com os trabalhos de Backster, chegou a conclusão de os cristais são levados a um estado de solidez devidos a existência de pré formas, poderíamos chamar isso metafísica, todavia, para fenômenos semelhantes Sheldrake usa o nome ressonância mórfica, Vogel trabalha com a ideia de “energia psíquica” termo popularizado por Jung, Vogel sugere que ela é armazenável, a noção de mente expandida de Sheldrake sugere que acessamos uma mente que não está no cérebro. Vogel afirma que o ser humano de fato se comunica com seres vegetais, dado que convencido da força da “energia psíquica” sobre as plantas começou imaginar seus feitos sobre cristais líquidos. Na minha leiga opinião o tecnoxamanismo ganha muito ao se apropriar de uma postura Vogel, dado que as plantas nosso ancestrais na Terra são uma das causas de nossa comunicação tecnológica em suas mãos, numa metáfora da própria natureza quando operada por cientistas que se propõem criar novos paradigmas. Vogel é puro ancestrofuturismo radical!!!

As plantas em comunicação com o homem desantropocentriza um pouco este texto. Afinal dominado ou não, pertencente ou não, nossas praticas insustentáveis de economia material no sistema capitalista, dentro da ciência materialista, já não possuem mais lugar para habitar. Que planeta as crises ecológicas nos apocalipiticam em profecia. Essa ausência de perspectiva seria influência dos números alarmantes (no final da década dos 2000 a base era de cerca de 50 a 60 suicídios por ano)  de suicídios entre indígenas? Ou será que isso é só mais um fruto da violência que esse grupo subjugado sofre? A depressão é a xawara dos sensíveis sobre o globo, hoje mesmo eu já tomei meu antidepressivo de patente dinamarquesa e meu topiramato pra controlar o humor, antes de dormir não posso esquecer o benzodiazepenico, que estou em fase de redução porque como tomo a muitos anos embora não fosse epilética- só? insone e deprimida-, se eu para de repente posso convulcionar…  De qualquer forma qualquer forma pensamento contesdor que se populariza Snowden já mostrou que se não se suicida matam, Ambrósio Kaiowa pra Borges pode ser um exemplo.

Retornando um pouquinho o raciocínio o filósofo da ciência Bachelard vai ainda mais longe, categoriza o cientista materialista com a liberdade poética de o Realista. Acusa -em sua analise do espaço na física contemporânea-, a física tradicional de ser uma ciência da localidade. A fé da metafísica realista segundo ele reside na certeza de que nada se encontra fora da célula de localização. Todavia a larguidão e portanto imprecisão da célula de localização garante a funcionalidade deste método paradigmático. Para ele a metafísica realista é um estudo topológico dos objetos que povoam o espaço, sendo que na frente de qualquer faculdade está o lugar.

A verdadeira realidade para o Realista se encontra no centro, que é o que sustenta o sujeito das frases predicativas onde comunicamos a realidade do real. De certa forma o silogismo da localização e da implicação aplicados a ciência são uma metáfora do capital, na medida em que “ o cofre está no escritório”. Bachelard está refutando esta metafísica realista através da localização quântica. Porque o Realista que deveria informar os encontros com o real na medida que adota a ciência dogmática passa usar a psicologia do reconhecimento na fundação da psicologia da certeza realista. Na metafísica realista da ciência dogmática não se encontra mas se reencontra. Pois na operação da estrutura dessa revolução científica quanto menos exatidão do real é exigida, mais é possível encontrar certeza em nosso “ conhecimento”. Enfim o realista trabalha com redução do erro e alargamento da célula de localização para garantir o reconhecimento dos objetos dentro da estrutura da metafísica realista. Bachelard ainda sugere que as similitudes dos comportamentos do senso comum são aquilo que convencionamos chamar de realidade. Mais uma vez temos a confirmação da polêmica afirmação foucaultiana de que não sabemos o que pertence aos domínios do empírico nem tão pouco aos domínios do transcendental.

Miguel Nicolelis o respeitado neurocientista brasileiro no seu “Muito além do nosso Eu” comenta seus próprios enfrentamentos -e de seus precursores- com a noção mainstream de ciência, as concepções ideológicas por exemplo de encarar o funcionamento cerebral como hierático, um problema curiosamente também datado do século XIX, somado a limitações de linguagem, mais evidentemente o prestígio social que nomear um pequeno pedaço no tecido neural poderia trazer para um cientista desse período. Acho curioso a palavra sujeito que Nicolelis se utiliza pra falar do sujeito onde a ICM é ligada.

Ele observa ainda um caso curioso de um neurocientista esquecido nos livros didáticos contemporâneos, embora muito importante e pioneiro na utilização experimental da estimulação elétrica no sistema nervoso central e de implantes cerebrais em animais despertos o espanhol Manuel Rodrigues Delgado. Com carreira em Yale na década de 60 previu que num futuro não muito distante seria possível conectar cérebros de pacientes com máquinas para tratar distúrbios psíquicos, feito inclusive que o próprio Nicolelis realizou este ano como relatado na Nature em artigo recente. Suas pesquisas foram relegadas ao ostracismo e banimento infelizmente, teve que enfrentar forte oposição, antagonismo e repulsa, a possibilidade de modular o comportamento do cérebro em sua fisiologia e patologia com implantes gerou uma reação de repúdio fomentada sobretudo pelo medo, o cenário de Guerra Fria temia artefatos capazes de controlar a mente humana, ao procurar por seu polêmico e clássico “ O controle físico da mente: rumo a uma sociedade psicocivilizada” na Universidade de Duke conta que só encontrou um único empoeirada, por anos não locado volume, mais uma prova de que paradigmas incomuns são em geral muito mal aceitos pela comunidade científica, poderia citar ao menos mais cinco interessantes exemplos só deste livro de situações onde o status quo da metafísica realista antecipadamente prevê e dita a ciência que deve e pode ser estudada.

Neste contexto de confusão entre o empírico e o transcendental e o privilégios de sua apropriação pelos tecnoxamanicos esquizo-trans pra falar de mais um espanhol mostra que as dicotomias metafisicas binárias são sustentadas submetendo à deriva sexualidade não heteronormativas padrão como “brincadeiras ontologicas” que subvertem um contrato social embasado em “ um códico sexual transcendental falso”. Pois como nota Butler as práticas de identificação são excludentes, ou seja se dão por exclusão, assim como Bachelard identifica que são as praticas científicas, na impossibilidade de circundar num involucro preciso e dizer é isso, o Realista crente na metafísica realista exclui o que não-é, assim o realista trabalha com redução do erro e alargamento da célula de localização para garantir o reconhecimento dos objetos dentro da estrutura da metafísica realista também quando se trata de identificar os gêneros, ou de não identificar as trans-especificidades. Butler também nota que ao buscar o feminino e o masculino no “ Terceiro Mundo” e “Oriente” os contextos também são consultados pelas teorias para neles encontrar exemplos e ilustrações de um princípio universal pressuposto.

Dado que não são as respostas, mas as perguntas que são importantes na filosofia eu proponho a repetição enfática ao exercício reflexivo: Seria hackeamento do conceito de religião uma movimento artístico Avant-Garde? Como e onde ciência, metafísica, religião, lobby, gênero e performance dialogam? Pra polemizar, não é esse sentimento de pertença que sequestra jovens para o ISIS?

Sue Nhamandu(Ellen Vieira) Novembro 2015

Bibliografia

Ciência sem Dogmas – Sheldrake

Muito Além do Nosso eu – Nicolelis

A experiência do espaço na física contemporânea – Bachelard

Manifesto Contrassexual – Paul B. Preciado

Problemas de gênero – J Butler

A vida secreta das plantas – Peter Tompkins e Christopher Bird

Ataris Vort no Planeta Megga: Jornada Para Alpha Centauri – Artur Matuck

http://revistageni.org/10/tecnoxamanismos-etc/

PROLEGÔMENOS PARA UM POSSÍVEL TECNOXAMANISMO Por Fabiane M.Borges

 As palavras e as Coisas – Foucault

http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/noticia/2011/11/martin-lindstrom-pessoas-ja-abriram-mao-da-privacidade.html

http://www.smithsonianmag.com/ist/?next=/science-nature/linking-multiple-minds-could-help-damaged-brains-heal-180955965/

https://geraldthomasblog.wordpress.com/2015/11/21/deliriums-at-dawn/

A lógica do consumo : verdades e mentiras sobre por que compramos / Martin Lindstrom ; tradução Marcello Lino. — Rio de Janeiro : Nova Fronteira, 2009

 

 

https://catahistorias.files.wordpress.com/2014/03/prolegc3b4menos-para-um-possc3advel-tecnoxamanismo.pdf

https://catahistorias.files.wordpress.com/2014/03/prolegc3b4menos-para-um-possc3advel-tecnoxamanismo.pdf

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